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Cuiabana deixa publicidade para se dedicar ao mundo dos games

Lima & Santana Propaganda, sua agência de publicidade e propaganda em Santos

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Publicidade em Santos – Na reta final do curso de Publicidade e Propaganda em São Paulo, a cuiabana Bianca Lula Rodrigues, de 22 anos, conhecida no mundo dos games como “Thaiga”, viu o rumo de sua vida profissional mudar da agência onde trabalhava para o quarto dela, de onde transmite ao vivo até sete horas de partidas do jogo multiplayer League of Legends diariamente. 

 

No último sábado (6), Thaiga foi entrevistada pelo apresentador do Zero1, Tiago Leifert. No programa, exibido pela Rede Globo, temas como cultura geek, games e campeonatos de “eSport”, como são chamados os campeonatos de jogos eletrônicos, foram os protagonistas. 

 

A jovem contou ao MidiaNews que ficou surpresa com o convite e que os pais, que moram em Cuiabá, fizeram uma festa na casa da família para assistir a entrevista dela. 

 

“Todos assistiram, me ligaram chorando e dizendo que tinha sido muito bonita [a entrevista]. Nunca tinha feito nada dessa proporção. O mais próximo foi um programa na ESPN e participações em matérias. No dia em que me convidaram, fiquei em choque”, lembrou. 

 

No sexto semestre do curso de Publicidade e Marketing da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) na capital paulista, Thaiga contou que começou a sentir que não se encaixava mais nos trabalhos desempenhados em uma agência.

 

Bianca Lula Rodrigues/Arquivo Pessoal

Thaiga faz transmissões online há dois anos

Durante um período em que ficou desempregada, a jovem viu no League of Legends uma forma de “fugir” da tensão da  busca por emprego e começou a se dedicar ao jogo. Um tempo depois, Thaiga acabou sendo contratada como híbrida em uma agência, onde fazia as funções de diretora de arte e ilustradora no local.

 

“Não me encontrava muito bem em nenhum ramo da publicidade. Era da área de criação, mas não me encaixava como diretora de arte ou ilustração, por isso ficava no meio termo entre os dois. Também fiz trabalhos como diretora de produção, onde me dei melhor”, disse. 

 

Mesmo empregada, Thaiga não deixou a paixão pelo League of Legends de lado. Durante os momentos livres na agência, ela assistia vídeos sobre as partidas do jogo para conseguir aprender mais técnicas e estratégias. Foi quando descobriu as streamings (transmissões online).

 

A cuiabana, que já havia tentado se aventurar como vlogueira no Youtube, não teve dúvidas sobre o trabalho que gostaria de fazer no futuro: jogar ao vivo para espectadores de todo o mundo. 

 

“O streaming é ao vivo, a interação com o público é direta, então era muito mais parecido com o meu tipo de produção de conteúdo e minha realidade. Diferente do Youtube, onde preciso gravar, editar e, só depois, postar”, avaliou. 

 

Depois de pensar muito, Thaiga tomou a decisão que mudaria tudo que havia planejado para sua vida: ligou o computador e fez a primeira transmissão ao vivo. Mesmo sendo apenas a primeira tentativa, a jovem, que é extremamente focada e estratégica, afirmou que não queria cometer erros. 

 

“Sempre encarei como um plano B, mas, pela primeira vez fiquei muito apaixonada, nunca fiquei tão apaixonada por algo que fosse ou pudesse ser um trabalho de fato. Comecei a investir muito nas streamings, todo meu tempo livre era reservado para as transmissões”, disse. 

 

A partir do momento em que decidiu que queria ter futuro nos streamings das partidas de League of Legends, a jovem contou que passou investir todo o tempo livre nas transmissões. Aos finais de semana, quando estava de folga do trabalho, a meta era produzir 14 horas de streaming. 

 

Thaiga levou a sério o novo trabalho e passou a sair menos com os amigos ou para festas. Sua agenda pessoal passou a ser construída em torno das transmissões ao vivo do jogo. 

 

“Se quisesse muito sair, fazia as 14 horas que tinha que fazer no final semana em um único dia para conseguir sair. Sempre remanejava tudo, minha prioridade na vida era o streaming. Tanto que a maioria dos meus trabalhos de faculdade foram sobre isso ou games”, contou.

Bianca Lula Rodrigues/Arquivo Pessoal

BIANCA THAIGA

Ela foi entrevista por Tiago Leifert no programa Zero1, exibido na Rede Globo

 

Contando para os pais 

 

Após muita dedicação às transmissões, Thaiga conseguiu firmar as primeiras parcerias com empresas do ramo de jogos eletrônicos, momento em que começou a pensar em pedir demissão do emprego na agência de publicidade e se dedicar exclusivamente a nova profissão: streamer. 

 

Na época, a jovem ainda dependia financeiramente dos pais e não queria seguir por um caminho novo sem o apoio dos mesmos. Prestes a ser promovida no trabalho, a cuiabana decidiu conversar com os pais sobre os novos rumos que queria para a vida profissional. 

 

Foi uma sequência de aproximadamente sete conversas. De acordo com ela, a dificuldade dos pais não era em apoiar a nova profissão dela, mas entender qual era o trabalho de um streamer de fato. 

 

“Quando fui explicar para eles, não sabia como explicar. Minha mãe perguntou o que eu queria fazer e eu fui sincera, disse que queria ser streamer. Ela perguntou o que era, respondia que jogaria League of Legends ao vivo sete horas por dia. É difícil fazer as pessoas entenderem que é um trabalho e que dá para ganhar dinheiro com isso. É estranho explicar isso pela primeira vez para alguém que nunca viu um jogo online”, avaliou. 

 

Thaiga contou que pedia para os pais pesquisarem sobre o tema, mas eles não sabiam como ou a que pé andava o mercado de jogos eletrônicos no Brasil. Foi quando a jovem, como uma boa universitária, decidiu fazer uma apresentação de slides no Power Point para explicar a profissão de streamer aos pais. 

 

Alguns dos slides também foram exibidos durante a entrevista de Thaiga ao Zero1. Momento em que a jovem se emocionou ao ler a mensagem que colocou para os pais no final, onde dizia que gostaria de ter o apoio deles durante a nova trajetória. 

 

“Não contei para eles [os pais] que tinha chorado no programa. Ficava apavorada quando pensava que tinha chorado em rede nacional, não sou muito de ‘abrir’ minha vida pessoal, a menos que saiba que vou ajudar alguém. E eu sabia que ajudaria porque estava em rede nacional. Estava meio nervosa”, revelou.  

 

Quando fui explicar para eles, não sabia como explicar. Minha mãe perguntou o que eu queria fazer e eu fui sincera, disse que queria ser streamer. Ela perguntou o que era, respondia que jogaria League of Legends ao vivo sete horas por dia

Na apresentação de Power Point que fez para pais, Thaiga inclui dados sobre o mercado de jogos eletrônicos e sobre o alcance de visualizações que tinha durante as streamings. 

 

A cuiabana também tentou explicar que ser streamer não ia totalmente na contramão da publicidade e que ela poderia utilizar os aprendizados que adquiriu nas transmissões ao vivo. 

 

“Sempre estudei games na publicidade. Por exemplo, na última crise que tivemos no Brasil, o setor de games cresceu 20%. Na mesma época consegui um emprego na área. Então será que eu estava tão maluca assim de migrar para uma área que tem tido um crescimento absurdo? Fora do país está financeiramente muito bem estruturada e o Brasil tem ido pelo mesmo caminho”, avaliou. 

 

Com o apoio dos pais, Thaiga então decidiu deixar o emprego na agência de publicidade. Há dois anos, a jovem tinha, em média, 30 pessoas visualizando suas transmissões. Atualmente o número subiu para 200. 

 

Além disso, a cuiabana também é analista das partidas de League of Legends e streamer pela paiN Game, maior clube de eSports da América Latina. 

 

Machismo

 

Assim como outros setores, as mulheres streamers ainda têm pouca visibilidade no mercado quando comparadas aos números de jogadores homens. De acordo com Thaiga, é comum que streamers homens atinjam a média de 20 mil visualizações diárias. Fato que não é tão fácil para mulheres. 

 

“Em termos de quantidade, são muitas mulheres, mas vemos poucas com números de visualizações altos. São poucas que conseguem mais de mil pessoas assistindo a um streaming aqui no Brasil. Porém, no exterior já muitas com visibilidade grande”, avaliou. 

 

Bianca Lula Rodrigues/Arquivo Pessoal

Thaiga

Thaiga conta que já precisou enfrentar o machismo na profissão

Thaiga já passou por algumas situações desagradáveis por ser uma das mulheres streamers brasileiras. Ela contou que a vantagem de jogar League of Legends é que o jogo não precisa de microfone, ou seja, os jogadores não ouvem a voz da jovem. 

 

“Vejo garotas que jogam jogo com comunicação por voz e é tenebroso o que elas ouvem. Tive situações em reuniões ou no mercado de jogos eletrônicos, mesmo, achando que vou sair com determinado homem para aparecer no canal do Youtube dele. Outras vezes, faltaram com seriedade durante reuniões de trabalho. O homem ficava de gracinha, me pedindo em namoro”, lembrou. 

 

Para evitar que outras mulheres passem pelo mesmo assédio, Thaiga contou que não deixa as situações “passarem batido”. 

 

“Os que fizeram gracinha de me assediar em troca de trabalho só ignorei e eles estão no mesmo lugar onde estavam, enquanto estou crescendo. Outros só ‘queimei’ no mercado. Fiz questão de que as pessoas que lidariam com ele diretamente soubessem como era, porque sei que vão acabar lidando com outras mulheres. Espero que não seja igual”, desabafou. 

 

 

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: https://www.midianews.com.br/cotidiano/cuiabana-deixa-publicidade-para-se-dedicar-ao-mundo-dos-games/354677



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